Materiais florestais de Reprodução

Parque clonal de garfos para enxertia | espécie Pinus pinea L.

Em 2001 a Associação dos Produtores Florestais de Coruche instalou uma plantação de 8ha de pinheiro manso enxertado (Pinus pinea L.) puro e a um compasso de 5mx5m, num total de 2.871 pinheiros. O objetivo foi instalar um parque clonal para a produção de garfos de enxertia.

Pretendia-se assim criar material genético de qualidade, bem adaptado e que permitisse aumentar o nível de produtividade dos pinhais jovens da região.

Dado o insucesso das plantas enxertadas em viveiro, uma nova enxertia teve lugar três anos após a plantação recorrendo-se a material genético do catálogo nacional de árvores Plus em 5 herdades onde se selecionaram 64 clones.

plantação jovem enxertada

Parque clonal I

Nas imagens de 2006 e 2011 é visível, não só o crescimento das plantas bem como a presença de zonas de mortalidade e/ou insucesso na instalação devido a condições menos favoráveis do solo. No entanto, a matriz foi aplicada com base no compasso inicialmente previsto mantendo assim, sempre que possível as relações de vizinhança.

(deslize as setas para ver a evolução temporal)

Os 64 clones foram aleatoriamente distribuídos por 2 Matrizes tipo (A e B - consulte no mapa) cobrindo toda a zona de plantação. Naturalmente, nas zonas de bordadura a matriz ficou incompleta. Pretendeu-se desta forma garantir que a polinização cruzada fosse o mais eficaz e profícua, garantindo a variabilidade e produtividade do povoamento, diminuindo a autopolinização.

Enxertia de fenda cheia

Enxertia | Garfo


A operação de enxertia teve uma taxa de sucesso de 52%, resultando em 1.501 pinheiros mansos enxertadas. Foram marcadas 11 parcelas de monitorização para avaliar a produção das árvores com e sem enxerto.

Objetivo: avaliar a produção ao longo do tempo e comparar eventuais diferenças entre árvores com e sem enxerto, prevendo-se a antecipação do início da fase produtiva, para as árvores enxertadas.

Em média, o número de pinhas produzido por árvore nas árvores enxertadas foi superior em todas as campanhas, de forma consistente.

No gráfico abaixo pode ser consultada a variação entre campanhas, variação interanual, que oscila de forma concordante nas árvores com e sem enxerto, indicando que esta variação se deve a condições externas, como as variáveis climáticas.

média nº pinhas por árvore enxertada e não enxertada


primeiro Desbaste

2015 desbaste das árvores sem enxerto

histórico de produção

A partir de 2015 um conjunto de árvores representativo de cada clone foi selecionado para monitorização da produção anual de pinha, por clone, interrompendo-se a partir dessa data a colheita de garfos nestas árvores.

Anualmente a produção é avaliada e em cada árvore é quantificado o peso e número de pinhas.

Ao longo do tempo é visível o efeito da variação da produção que ocorre em cada ano, tanto em peso como em quantidade de pinha produzida. As condições climáticas influenciam a produção, mesmo nas árvores enxertadas, levando a quebras anuais significativas. Este padrão é consistente com outros estudos em povoamentos de regeneração natural.

produção total em peso (kg)

produção total em nº de pinhas

Colheita seletiva de garfos

Após o desbaste em 2015, o povoamento passou a ter dois objetivos distintos: manter a colheita de garfos e avaliar a produtividade dos clones.

Atualmente existem 420 árvores produtoras de garfos e 612 árvores sem apanha de garfos mantendo sempre que possível a matriz completa, evitando as zonas de bordadura.

produção média por clone em cada campanha | total acumulado por clone em 7 campanhas

Analisando o comportamento do povoamento, na sua distribuição agrupada por campanha, verifica-se que a amplitude na produção é maior nos anos mais produtivos - campanhas 2018/19 e 2019/20.

Por outro lado em anos com produção mais baixa - campanha 2015/16 e 2020/21, parece haver uma menor variabilidade da produção entre árvores.

Quando se avalia a série temporal de 7 anos conseguimos rastrear a produção média por clone e definir um patamar de produção que permite distinguir as melhores plantas.

Foi com base nesta informação que se definiram os clones na implementação do novo parque clonal.


pinheiro manso | corte raso

segundo Desbaste

Em novembro de 2024 realizou-se o segundo desbaste (abate seletivo) aplicando os critérios que asseguram a manutenção da variabilidade genética e a produção de garfos para enxertia na Categoria Qualificado.

O conhecimento da produção relativamente aos clones, permitiu uma abordagem de desbate seletivo, dando preferência à manutenção dos clones mais produtivos sempre que possível, para além do critério de competição entre indivíduos.

A existência duma linha eléctica sobre o parque clonal levou ao desbaste adicional correspondente à faixa de gestão de combustível.

Os sobrantes foram convertidos em biomassa.


colheita de garfos | histórico de colheita (nº de garfos)

A colheita de garfos teve início em 2008 e nos últimos anos esta operação tem sido realizada recorrendo a uma plataforma elevatória que permite o acesso ao topo das árvores. Esta operação decorre normalmente em abril, quando o crescimento dos ápices atinge a maturação. A janela de oportunidade é curta, quer pela maturação dos garfos, quer pela receptividade das plantas jovens (porta-enxerto) para uma enxertia com sucesso. O tempo que decorre entre a apanha, transporte e enxertia no local definitivo deve ser o mais curto possível, evitando a exposição a temperaturas elevadas, pelo que os garfos devem ser acondicionados numa mala térmica durante todo o processo.


O novo parque clonal

As árvores crescem e torna-se cada vez mais difícil a colheita dos garfos. Os desbastes necessários com a seleção de árvores de futuro implicam sempre uma perda de variabilidade. Estamos num impasse entre selecionar a produção e manter a investigação. Muito ainda está por estudar nesta área relativamente aos contributos da árvore mãe, os efeitos da polinização cruzada na produtividade, a adaptação desta espécie a períodos de seca e a sua influência na produção.

Estabelecendo novo protocolo, a Associação dos Produtores Florestais de Coruche, tem já decorrer a implementação de um novo parque clonal, com pressupostos semelhantes ao parque-mãe e onde é agora possível selecionar os clones, mais produtivos.

Assim numa área com um total potencial de 1.246 Pinheiros jovens foram implementadas 2 matrizes casualizadas com 20 clones selecionados.

Adicionalmente, o novo parque clonal tem também implementadas 3 parcelas com 8 blocos/repetições com o objetivo de estudar os efeitos da adubação em plantações jovens.

novo parque clonal | 20 clones | ensaio de adubação

agradecimentos

Equipa sapadores florestais | Equipa técnica APFC

agradecimento especial | Conceição Santos Silva

Dados

Associação dos Produtores Florestais de Coruche

pinheiro manso | corte raso

plantação jovem enxertada

produção total em peso (kg)

produção total em nº de pinhas